João Teodoro: A segunda onda do coronavírus e o mercado imobiliário

João Teodoro: A segunda onda do coronavírus e o mercado imobiliário

A expectativa de alta na taxa Selic e, consequentemente, nas taxas de crédito imobiliário tem produzido uma corrida ao mercado. Quem tem condições de comprar quer fazê-lo o mais rápido possível, a fim de assegurar as atuais taxas baixas de juros

Os juros médios no Brasil baseiam-se na taxa Selic, que é controlada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Sua última elevação ocorreu há quase seis anos, em julho de 2015, quando passou de 13,75% para 14,25% ao ano. Depois disso, num processo contínuo de queda, chegou a 2% ao ano nos últimos meses de 2020, seu menor patamar histórico desde que foi criada, em 1979. E assim permaneceu até 17 de março de 2021, quando voltou a subir. Hoje, está em 2,75% ao ano.
O retorno do crescimento da Selic tem razão de ser. A Economia em geral, que vinha sofrendo com o fechamento de atividades consideradas não essenciais durante quase todo o ano de 2020, sofreu novo revés com o recrudescimento da pandemia, neste início de ano. As UTIs com quase 100% de sua capacidade esgotada em todo o país, mesmo em regiões antes menos afetadas. Governadores e prefeitos, sem saber o que fazer pela Saúde, e sem alternativas, determinaram o lockdown, inclusive fechando muitas fronteiras municipais.

POR JOÃO TEODORO*Publicado 20/04/2021 06:00Os juros médios no Brasil baseiam-se na taxa Selic, que é controlada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Sua última elevação ocorreu há quase seis anos, em julho de 2015, quando passou de 13,75% para 14,25% ao ano. Depois disso, num processo contínuo de queda, chegou a 2% ao ano nos últimos meses de 2020, seu menor patamar histórico desde que foi criada, em 1979. E assim permaneceu até 17 de março de 2021, quando voltou a subir. Hoje, está em 2,75% ao ano.
O retorno do crescimento da Selic tem razão de ser. A Economia em geral, que vinha sofrendo com o fechamento de atividades consideradas não essenciais durante quase todo o ano de 2020, sofreu novo revés com o recrudescimento da pandemia, neste início de ano. As UTIs com quase 100% de sua capacidade esgotada em todo o país, mesmo em regiões antes menos afetadas. Governadores e prefeitos, sem saber o que fazer pela Saúde, e sem alternativas, determinaram o lockdown, inclusive fechando muitas fronteiras municipais.

PUBLICIDADEhttps://eb70e99adf30b0f8c9c329eef45c50ba.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.htmlPUBLICIDADEhttps://eb70e99adf30b0f8c9c329eef45c50ba.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.htmlCom nova e rigorosa paralisação da Economia, diversos produtos desapareceram do mercado, acionando a lei natural da oferta e demanda. A consequência foi a subida inesperada dos preços. Consequentemente, a inflação mais uma vez superou a meta do governo, fechando o ano de 2020, acumulada em 4,31%. Neste ano, a inflação já acumulou 1,11% até o mês de fevereiro. A expectativa é de que a Selic continue subindo, podendo chegar a 4% neste ano, provocando pequena elevação nas taxas de juros financeiros.
Entretanto, depois do surpreendente ano positivo face ao cenário macroeconômico, o mercado imobiliário dá sinais de que continuará crescendo em 2021. De acordo com pesquisa nacional, realizada pela Brain Inteligência Estratégica no começo de fevereiro, com 1,2 mil entrevistados com renda suficiente para comprar um imóvel, 41% afirmaram que têm intenção de adquiri-lo dentro dos próximos dois anos. Pelo menos 10% deles já estão em busca do imóvel ideal, apesar da expectativa de elevação da inflação e das taxas de juros.

Aliás, a expectativa de alta na taxa Selic e, consequentemente, nas taxas de crédito imobiliário tem produzido uma corrida ao mercado. Quem tem condições de comprar quer fazê-lo o mais rápido possível, a fim de assegurar as atuais taxas baixas de juros. Em 2020, o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) financiou R$ 124 bilhões em crédito imobiliário, 70% em imóveis novos. O movimento foi 57% maior do que em 2019. Com a utilização de recursos do FGTS, destinados à habitação social, foram financiados outros R$ 33 bilhões, dos quais 92% para imóveis recém construídos.
Indiscutivelmente, o sucesso do mercado imobiliário em 2020, apesar da pandemia, foi impulsionado pela abundância de crédito e redução das taxas de juros. A taxa Selic em baixa desestimulou os investimentos financeiros em favor dos imobiliários. Neste ano, mesmo que a Selic atinja 4% ao ano, as taxas de juros continuarão sendo as menores da história. O estímulo à aquisição da casa própria continuará idêntico, ou até melhor do que no ano passado.

fonte: https://odia.ig.com.br/opiniao/2021/04/6129060-joao-teodoro-a-segunda-onda-do-coronavirus-e-o-mercado-imobiliario.html

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